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Pã, cujo nome significa Todo, deus da natureza,
cultuado sobretudo na Arcádia, é fruto da união de Hermes com a ninfa Dríope. Ao contrário de seu meio-irmão Hermafrodito,
Pã era horrendo e possuía pés de bode e chifres na cabeça. Sempre motivo de riso, fosse para os deuses do Olimpo ou para as
ninfas entre as quais vivia, jurou que jamais amaria mulher alguma. Mas em luta com Cupido, foi vencido e não teve outra opção
senão amar.
Mas Pã nunca consegue realizar seu amor. Apaixonado
pela ninfa Sirinx, assustou-a com seu pedido de casamento, fazendo-a correr desesperadamente. Quando a alcançou, Sirinx virou
uma touceira de caniço da qual começou a levantar-se um canto suave e queixoso. Pã cortou sete pedaços e fez sua flauta da
qual nunca mais se separou e que fazia com que todas as ninfas ficassem fascinadas por ele, apesar de sua forma grotesca.
Texto da revista ISIS, março de 1997, por Sandro Fortunato


Pã, antiquíssima
divindade pelágica, especial à Arcádia, é o guarda dos rebanhos e tem por missão fazer multiplicar. Deus dos bosques e dos
pastos, protetor dos pastores, veio ao mundo com chifres e pernas de bode. Pã é filho de Mercúrio. Era assaz natural que o
mensageiro dos deuses, sempre considerado intermediário, estabelecesse a transição entre os deuses de forma humana e os de
forma animal. Parece, contudo, que o nascimento de Pã provocou certa emoção em sua mãe, assustadíssima com tão esquisita conformação.
Dizem que, quando Mercúrio apresentou o filho aos demais deuses, todo o Olimpo desatou a rir. Mas como é provável que haja
nisso um pouco de exagero, convém restabelecer os fatos na sua verdade, e eis o que diz o hino homérico sobre a estranha aventura:
"Mercúrio chegou
à Arcádia fecunda em rebanhos; ali se estende o campo sagrado de Cilene; nesses páramos, ele, deus poderoso, guardou as alvas
orelhas de um simples mortal, pois concebera o mais vivo desejo de se unir a uma bela ninfa, filha de Dríops. Realizou-se
enfim o doce himeneu. A jovem ninfa deu à luz o filho de Mercúrio, menino esquisito, de pés de bode, e testa armada de dois
chifres. Ao vê-lo, a nutriz abandona-o e foge. Espantam-na aquele olhar terrível e aquela barba tão espessa. Mas o benévolo
Mercúrio, recebendo-o imediatamente, pô-lo ao colo, rejubilante. Chega assim à morada dos imortais ocultando cuidadosamente
o filho na pele aveludada de uma lebre. Depois, apresenta-lhes o menino. Todos os imortais se alegram, sobretudo Baco, e dão-lhe
o nome de Pã, visto que para todos constituiu objeto de diversão."
As ninfas zombavam
incessantemente do pobre Pã em virtude do seu rosto repulsivo, e o infeliz deus, ao que se diz, tomou a resolução de nunca
amar. Pã, desejando um dia lutar corpo a corpo com Cupido, foi vencido e abatido, e diante das ninfas que se riam, foi obrigado
a amar.
Um dia percorria
Pã o monte Liceu, segundo o seu hábito, e encontrou a ninfa Sirinx que jamais quisera receber as homenagens das divindades
e que só tinha uma paixão: a caça. Aproximou-se dela, e como nos costumes campestres se vai imediatamente ao objetivo, sem
nenhum artifício, sem nenhum desvio, disse-lhe: "Cedei, formosa ninfa, aos desejos de um deus que pretende tornar-se vosso
esposo." (Ovídio).
Queria falar
mais, mas Sirinx, pouco sensível àquelas palavras, deitou a correr, e já chegara perto do rio Ladon, seu pai, quando, vendo-a
detida, rogou às ninfas, suas irmãs, que a acudissem. Pã, que lhe saíra no encalço, quis abraçá-la, mas em vez de uma ninfa,
só abraçou caniços. Suspirou e os caniços agitados emitiram um som doce e queixoso. O deus, comovido com o que acabava de
ouvir, pegou alguns caniços de tamanho desigual e, unindo-os com cera, formou a espécie de instrumentos que se chama sirinx
e que constitui a flauta de sete tubos, transformada em atributo de Pã.
texto retirado
do site http://www.mundodosfilosofos.com.br/
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